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Participação da mulher pode mudar jogo de forças na Câmara Municipal

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Apesar de estar sozinha e taxada como oposição, por uma minoria política, um balanço independente e abalizado dos primeiros meses de trabalho da vereadora Stellamaris Otenio (PSD) pode deixar os demais vereadores assustados.

Algumas razões motivam essa observação. Primeiro porque sua formação acadêmica na FCARP a coloca como Bacharel em Direito. Todos sabem que o conhecimento é fundamental quando se quer agir e, principalmente agir bem. Segundo, porque ela não depende do salário de vereadora para viver, o que lhe dá desempenho e autonomia na função, isto é, ela não precisa seguir as ordens nem se ajoelhar diante do rolo compressor que pode vir do Executivo. Terceiro, porque ela se encaixou perfeitamente na função e, o resultado é a aprovação do povo que de boca em boca comenta sua forma de trabalhar e de quebra ainda critica quem, no cargo de fiscalizador, atua apenas dizendo sim senhor, como subserviente.

Talvez um fragmento que prove a subserviência dos vereadores tenha aparecido na Sessão noturna de ontem (20), quando a máquina do Executivo pode ter agido para impedir que a vereadora faça leis.

A quarta hipótese que deve ser considerada, quando buscamos a razão para que a Stella tenha muita aceitação na sua forma de atuar, deve ser desmembrada em duas correntes: a primeira vem da juventude que viu na então candidata, uma expoente em potencial para atuar com independência na Câmara; a segunda corrente é mais abrangente e começa a se manifestar agora: as mulheres. Justamente elas, que sentiam falta da presença feminina na Câmara, na gestão anterior, estão apoiando a representante para ter voz ativa nas questões que interessam ao “sexo frágil”.

Avaliando friamente os números do TSE a partir de dados das eleições 2012, os vereadores que se cuidem e que se comportem com o devido respeito e gentileza com as vereadoras, pois, quando o assunto é grau de instrução, se estivéssemos no tatame, em uma luta de boxe, o sexo feminino estaria deixando os homens na lona e seguramente em nocaute.

Os números são frios, e se isso for levado em conta, os nove vereadores podem se considerar em margem estreita para manobra. A partir do grau de instrução ensino médio completo ao superior completo a mulherada vence em todos os três níveis elencados pelo TSE e a diferença é de 25,5% em favor delas considerando que no município de Araputanga, nas citadas faixas, os eleitores do sexo masculino são 894 e o de mulheres totaliza 1200.

Todo poder emana do povo e em seu nome é exercido. Essa afirmação consta do primeiro parágrafo das várias Constituições brasileiras, inclusive na que está em vigor desde 1988 e poder se materializa, também, a partir do número de pessoas em determinada categoria.

O momento ainda permite que o machismo possa prevalecer no Parlamento, justamente porque lá, a maioria é do sexo masculino. Mas, no momento em que as mulheres se conscientizarem do seu poder para influenciar e decidir, elas, mesmo em menor número no parlamento municipal, seguramente exigirão uma nova postura dos nossos  representantes.