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    ARAPUTANGA: Acampados da fazenda Itaguaíra interditam MT-175

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    FONTE

     

    Trabalhadores acampados  na fazenda Itaguaíra, no município de Araputanga,  há cerca de 12 anos interditam a MT-175 no km 1 depois do trevo com a MT-248. O bloqueio da rodovia começou por volta de 06h00min e, segundo os organizadores do movimento só terminará às 18h00min. (Veja vídeo aqui).

    São cerca de 130 famílias acampadas na fazenda Itaguaíra. Pelo menos cem homens participam da interdição em Araputanga. Eles chegaram ao local  ao amanhecer em ônibus fretado. Veja fotos aqui.

    A interdição ocorre com pedaços de concreto, com pneus e faixas amarradas com arame que cruzam a estrada. Os homens carregam facões e foices e proíbem, além do tráfego de veículos que pessoas passem no local, inclusive a pé. Enquanto a reportagem acompanhava o movimento de interdição,  foi permitida a passagem de uma ambulância.  Ainda não há policiamento no local.

    Um dos líderes do acampamento Sr. Vicente Júlio da Silva conversou com a reportagem e destacou que a Justiça do Trabalho cobra dos fazendeiros ao contratar trabalhadores que ofereça condições dignas como moradia, água, luz, banheiro e, alimentação correta. Enquanto isso, os trabalhadores rurais ficam à mercê de toda má sorte, morando em barracos cobertos com folha de coqueiro ou lona, sem energia elétrica por 12 anos sem que o INCRA resolva o problema. 

    Os trabalhadores que estão na rodovia são  ligados à Fetagri. Eles declaram que  querem apenas a terra, para trabalhar, observou o líder, que mostrou diversas crianças trazidas pelos pais que estão vivendo e crescendo dentro do acampamento e, essas crianças merecem condições mais dignas. A faixa estendia no bloqueio da rodovia  enfatiza que o objetivo é de todos que lutam pela terra.

    Foi permitido que a reportagem entrevistasse todos do movimento que quisessem falar. Um trabalhador pontuou que os acampados produzem alimentos para sobrevivência apesar das más condições em que vivem. Ele reclamou que até as cestas de alimentos que eram fornecidas pelo governo foram cortadas e, foi incisivo ao falar dos políticos locais e estaduais declarando que eles só aparecem no ato de pedir votos, e nunca mais.

    O PROCESSO

    A liderança do movimento promete que depois da interdição da MT-175, nas proximidades da cidade de Araputanga vão acampanha na AGU - Advocacia Geral da União em Cuiabá-Mt, para que providências sejam tomadas em relação à questão.

    A Folha de Araputanga ouviu o doutor Ricardo Mamedes, advogado dos trabalhadores, que confirmou "O processo está na A.G.U em Cuiabá".  Mamedes declarou que o INCRA  precisa atuar de forma eficaz para avaliar a área e efetivamente colocá-la para reforma agrária. No campo político, o advogado disse que o deputado estadual Ezequiel Fonseca vem trabalhando para viabilizar a terra para os trabalhadores. Mamedes disse textualmente que a questão é que ocorre um verdadeiro descaso da AGU e do INCRA em uma causa que já se estende por 12 anos.