Quando publicamos a matéria “Dura realidade: relatos de furtos vão se tornando rotina em Araputanga”, encerramos com o questionamento; quem se importa?
Pois bem, façamos Justiça. A representante do Ministério público de Araputanga, promotoria Mariana Batizoco Silva, propôs Ação Civil Pública para cumprimento de obrigação de fazer, contra o Estado de Mato Grosso, pela ausência de Delegado titular na Delegacia de Polícia Judiciária Civil de Araputanga.
QUEM SE IMPORTA?
Os representantes do MP se importam sim! O assunto foi objeto do Inquérito Civil 95/2011 instaurado na promotoria, para apurar informações oriundas do Conselho Comunitário de Segurança Pública, quanto ao aumento da criminalidade agravada pela vacância de um delegado titular na Depol araputanguense.
Com 235 delegados lotados no quadro da PJC/MT, o Delegado Geral da Polícia Civil informou ao MP que não existe cadastro reserva, nem solução imediata para incrementar o efetivo policial em Araputanga, a não ser a utilização de métodos de gestão.
CENÁRIO CAÓTICO
Enquanto o número de roubos e furtos proliferam nas cidades da Comarca, em 24 de junho/16 o ofício 666/2016/DPJC/ARA/MT emitido na Delegacia de Araputanga, noticiava à promotoria o cenário absolutamente caótico, então vivenciado na PJC local, em razão da falta de um delegado titular. A delegacia que atende aos habitantes dos municípios de Araputanga, Indiavaí e Reserva do Cabaçal, conta com reduzidíssimo efetivo de policiais civis para desempenhar as atividades.
RECURSOS HUMANOS
O documento assinado pelo investigador-chefe das operações e pela escrivã chefe de cartório, é um verdadeiro pedido de socorro, pois, atualmente, a Depol conta somente com três escrivãs de polícia e três investigadores.
Na verdade, o quadro de servidores da PJC araputanguense soma nove investigadores, número insuficiente; contudo, três servidores afastaram-se em gozo de férias e licenças-prêmio e, não voltarão às funções, pois, entrarão em inatividade.
Atuando em território de 3.540 km2 a Delegacia da comarca precisa reunir condições para atender à demanda dos cerca de 21.220 habitantes. Se não há efetivo na PJC para cobrir o território, os criminosos se sentem no paraíso, pois, inexistindo delegado titular desde maio/2015 os trabalhos de investigação ficam paralisados e, a investida ousada do crime contra o patrimônio da população, desafia a estrutura estatal de segurança, literalmente.
CONDIÇÕES MÍNIMAS
A unidade da PJC em questão necessita em caráter emergencial de, no mínimo, um delegado de polícia titular e, três novos investigadores para compor o quadro de pessoal, porém, embora o fato seja de conhecimento da chefia da Polícia, alega-se que não há condições que possa responder aos clamores da população para melhoria na segurança.
OS DELEGADOS
De acordo com a inicial que sustenta e ACP, em trâmite na Justiça local, os delegados descrevem que “Na circunscrição de Araputanga, vem ocorrendo aumento expressivo no cometimento de crime contra o patrimônio, com emprego de violência, grave ameaça e, restrição de liberdade, como roubos à agência lotérica e a todos os tipos de estabelecimentos comerciais, o que se deve em grande parte, à falta de autoridade policial permanente e atuante.
S.O.S EMANADO DO POVO
Um comentário postado em certo grupo de rede social descreve como a população está assustada. A reportagem teve acesso ao texto escrito pelo Senhor “J” às 12h20min do dia 12 de julho: “Todo dia aparece um na serralheria querendo fazer grades e portas de ferro porque a casa foi arrombada”.
A população precisa e quer gritar por socorro, porém, mesmo que o faça através do registro de ocorrência junto à Polícia, sabe que não terá todo o respaldo, pois não há investigadors em número suficiente e inexiste delegado para fazer o processo investigativo andar.
CANDIDATO AO CARGO
Se já foi expressa, pode não proceder inteiramente a ideia que ninguém queira atuar como delegado em Araputanga. A representante do MP descreve na ACP, que restou consignado o interesse do delegado Dr. Miguel Macário Lopes, em ser removido de Jauru-MT, para a Depol de Araputanga.