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ARAPUTANGA: Restos do lixão queimado estão amontoados em forma de “Pirâmide”
Moradores de Araputanga, alguns do Jardim Primavera, reclamaram da sutil fumaça que surgiu no horizonte, na tarde de ontem (19), sobre parte da cidade. O clima seco e a baixa umidade facilitam a propagação, por longa extensão, da fumaça resultante de qualquer incêndio.
A Folha vem ouvindo murmúrio de pessoas que se sentem prejudicadas com o resultado da fumaça, originada na queima do lixo, possivelmente alocado na direção do lixão de Araputanga, nas imediações do aeroporto. Veja fotos aqui.
Por volta de 18 horas de sábado (16), um morador chegou a dizer que ele e sua família estavam sofrendo muito com a fumaça originada no lixão a céu aberto. Essa pessoa, que pediu anonimato, revelou ainda que, em alguns trechos do Jardim Primavera, a fumaça vem incomodando, também, no período matutino.
DOMINGO
No domingo (17), a reportagem compareceu ao lixão a céu aberto e constatou que realmente a fumaça poderia ter origem na queima de produtos descartados no local. Na ausência de aterro sanitário conforme preconiza a legislação, o fogo vem sendo a opção para consumir os rejeitos recolhidos na cidade e depositados no lixão, no dia a dia. As "pirâmides" construídas com o material chamuscado refletem a quantidade de produto já queimado. Antes da reportagem chegar ao destino, por volta de 9h50min constatamos uma coluna de fumaça isolada, galgando os céus, e alcançando cerca de 400 metros de altitude, na direção norte da cidade.
MAIS FOGO
Populares disseram hoje (20) à reportagem que, ontem, por volta de 19h00min a fumaça que viajou, possivelmente da queimada no lixão, até as imediações do Lago Azul, perdera altitude e passou a prejudicar a respiração e a visão das pessoas que se sentiam sufocadas.
GESTÃO
A busca de solução adequada para o lixo e, por consequência para os lixões que se acumulam a céu aberto nas regiões urbanizadas é um desafio a ser enfrentado em todo o mundo.
Em solo tupiniquim a questão já deveria ter encontrado o “fim” adequado desde o dia 03 de agosto, segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Tal política foi definida pelo conjunto de princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações adotadas pelo Governo Federal, Estados, Distrito Federal, municípios ou particulares e com vistas à gestão integrada e ao gerenciamento adequado dos resíduos sólidos que, em seu artigo 36, a lei prevê a coleta seletiva como um dever dos municípios, estabelece ainda que deverá ser priorizada a contratação de cooperativas e associações de catadores. O prazo passou e, há municípios onde o problema ainda não está equacionado.
TAC
A publicação feita no dia 18 de agosto, na página eletrônica do Ministério Público de Mato Grosso indica que um município vizinho a Araputanga teria descumprido TAC, assinado em 2010 e posteriormente suspenso após a gestão de então assumir o compromisso de colocar em prática várias medidas mitigadoras visando a adequação da disposição dos resíduos sólidos.
Em razão do descumprimento do TAC o município em questão terá que arcar com o pagamento de multa no valor de R$ 422 mil. Além de requerer a aplicação da penalidade, em ação de execução, o Ministério Público também instaurou inquérito civil para apurar a responsabilidade dos representantes legais do município em relação ao descumprimento do acordo judicial.
