Por enquanto, segundo a PF, somente através da prefeitura de Cáceres já foram detectados cerca de R$ 2,5 milhões em desvios de verbas públicas. O remédio era comprado na base do “acerto” entre servidores, empresários e empresas farmacêuticas sediadas em cidades do estado de Goiás. E ainda conforme a PF, a rede criminosa contava com pareceres combinados e favoráveis. Ao todo 113 mandados foram expedidos, sendo 30 deles em Cáceres (a maioria), Sinop em duas cidades de Goiás.(nota de João Arruda)
Estão detidos em Cuiabá, na superintendência da Polícia Federal, o ex-secretário de Saúde Luiz Paes Landin, o ex-secretário de Administração da atual gestão, Júnior Carneiro, e dezenas de outras pessoas que exerceram cargo de secretário ou coordenador da pasta da saúde ou de áreas que atuam em licitações.
Fontes da PF explicaram que a ação começou na gestão passada, do ex-prefeito Túlio Fontes(DEM), mas respinga nesta administração.
O pedido de investigação partiu da atual administração, do prefeito Francis Maris Cruz, que se assustou ao ver, quando assumiu, que não havia medicamentos para o atendimento à população.
A licitação que é o eixo das investigações, daria para suprir as necessidades básicas do município por um ano. Em poucos meses, não havia medicamentos, além da existência de medicamentos vencidos.
O ex-prefeito Túlio Fontes está na sede da PF em Cáceres há mais de duas horas, depondo. De sua casa, a PF levou um cofre.
Na entrada, ele pediu ao repórter João Arruda que não o fotografasse."Dá um tempo, aqui não, não tenho nada com isso". Neste momento, os agentes o lembraram que ele devia entrar para depor e que ali não era lugar para conversas.
Só de Cáceres, há dezenas de mandados cumpridos, com todos os detidos encaminhados a Cuiabá.
Como funcionava:
A Prefeitura recebia os medicamentos de farmácias e distribuidoras e só depois realizava a licitação.
No início da atual administração, e por várias vezes,
inclusive recentemente, o atual prefeito Francis Maris (PMDB), comprou medicamentos pagando do próprio bolso e doando ao município. "A situação da Saúde é tão caótica que não conseguíamos achar o 'fio da meada'. Foi necessário cortar a própria carne e pedir a investigação, para achar e comprovar as irregularidades e por a pasta em ordem.
O prefeito vem sendo criticado pela situação de caos na Saúde desde que assumiu. Agora se sabe que o problema vem de antes. A decisão da justiça federal que determinou a operação tem 200 páginas e vários áudios, inclusive, segundo informações obtidas na porta da delegacia, junto a um advogado, existe um áudio de um ex-secretário da pasta da Saúde pedindo propina.
A ação culminou também com a prisão do atual secretário Finanças, Odiner Gonçalves de Sá e da atual pregoeira Kátia Faria da Silva. A atual secretária Administração Célia Égues também prestou depoimento na PF, entre outros ex e atuais funcionários. Um dos advogados presentes na sede da PF em Cáceres afirmou que é normal o grande número de prisões. "A Federal vai ouvir a todos para comprovar quem tem ou não culpa no cartório".