A promotoria de Justiça de Araputanga através do Dr. Luiz Fernando Rossi Pipino baixou, na sexta-feira, 09, Portaria 012/2013 para investigar, por inquérito civil,“A qualidade do serviço de fornecimento de água prestado pelo Poder Público Municipal”. A promotoria pode se deparar com a falta de investimentos que resultou no nó do desabastecimento de água na cidade.
A partir de hoje (12), as autoridades devem ser “convidadas” a explicar as razões da falta de água nas torneiras. O argumento que falta hidrômetro já é recorrente de outros governos, porém, até agora, investimentos para amenizar e prover água, a prefeitura praticamente não fez ao longo de anos.
Contudo, um novo problema que pode estar relacionado com a qualidade da água, surgiu a partir da noite de quinta-feira, 08, quando o município recebeu pouco mais mil estudantes que vieram competir no 9º Jogos Escolares. (15 a 17 anos). Os competidores são de 85 delegações e chegaram de 42 cidades do estado. As modalidades onde os atletas estão competindo entre 08 e 14 de agosto são: futsal, voleibol, basquete e, handebol.
No transcorrer da noite de abertura dos jogos surgiram os primeiros relatos: os competidores passaram mal, sofreram com diarreia, dor de estômago e, vômitos. Na sexta-feira (09) e no sábado (10) houve casos que exigiram atendimento médico confirmado pelo Hospital da cidade.
O problema pode estar relacionado com a água ou com a alimentação servida. O fornecimento do líquido é alternado, dia sim, dia não, para os bairros e, a produção do DAE já não é suficiente para atender à demanda, relatam os servidores do departamento de água que indicam um déficit de cerca de 100 mil litros/hora. Nossos visitantes aumentam o déficit em cerca de 5 mil litros/hora ou 120 mil litros/dia. A gestão, que já não dá conta de abastecer a cidade, passou a fornecer água às escolas que abrigam os jogadores, através de caminhões-pipa.
O abastecimento dos reservatórios da Escola João Sato, que abrigou cerca de duzentas meninas, se deu no dia da abertura dos jogos (08), através de um caminhão pipa. A reportagem da Folha de Araputanga já havia identificado que moradores das proximidades da escola já relatavam falta d’ água.
Na manhã de domingo (11), a Folha de Araputanga visitou as instalações da Escola Nossa Senhora de Fátima que abriga várias delegações. Ouvimos Gabriel Vasconcelos chefe da delegação de Sinop. Ele trouxe cerca de 40 atletas dos quais, 26 passaram mal, contou. Em conversa com a reportagem ele mensurou que centenas de atletas podem ter passado mal.
Ouvimos ainda parte da delegação de Cáceres, onde, em uma das salas o grupo de Handebol teve duas pessoas com diarreia e uma com dor de estômago. Os rapazes contaram que chegaram, jantaram e, na sexta-feira, tiveram o mal-estar. O técnico Hélio Mazinho como os demais responsáveis por delegações passaram a comprar água mineral em garrafões de 20 litros.
Procuramos ainda a delegação de Canarana onde um estudante-atleta de 16 anos, indignado se dispôs a falar, mas seu técnico desconversou e disse que os quatro atletas que se sentiram mal foi por uma questão de causalidade. Ele contou que todos foram muito bem atendidos pelo serviço de saúde. Os competidores contaram que grande parte da delegação de Juína teria sofrido as consequências da diarreia e vômito, mas, em virtude do horário (pela manhã), não conseguimos conversar com ninguém da equipe que aparentemente estava dormindo, quando batemos à porta.
O ABASTECIMENTO
Ontem (11), por telefone, a reportagem conversou com o Secretário de Esportes Vinícius Nogueira. Ouvimos relato que foram coletadas amostras da alimentação e comparado o PH da água que estava normal. O secretário disse que a mudança de clima e baixa imunidade de alguns atletas pode ter levado ao incômodo e que o caminhão pipa ou o tratorzinho só é usado quando acaba a água nos alojamentos.
Ele revelou que decorre cerca de cinco horas entre a manobra que libera a água, por exemplo, para o alojamento na Escola Municipal Evaristo Costa e a chegada do líquido no local. O Secretário admitiu que entre 20 e 30 atletas receberam atendimento no serviço de saúde.
Segundo o responsável pelo DAE, ouvido hoje (12), a água servida aos alojamentos é coletada junto ao poço artesiano PT 02 localizado próximo à Av. Aldo Ribeiro Borges. Para ele, a água é de boa qualidade e alguns moradores chegam a captar água no local para consumo e ninguém reclamou qualquer problema, porém, a água retirada no PT 02 só recebe tratamento com cloro quando é enviada para o DAE, na mesma Avenida. Portanto quando é coletada através do pipa a água está in natura.
Inicialmente na Escola Nossa Senhora de Fátima os atletas falaram em abastecimento por caminhão pipa, contudo nossa reportagem apurou que o caminhão pipa que está trabalhando em Araputanga é da cidade de Indiavaí e, na verdade ele só está molhando as ruas da cidade. A água chegou ao local (NEPE) em um tanque puxado por um pequeno trator. Esse tanque pertence à indústria de laticínio instalada na cidade há mais de três décadas.
CONSUMO
De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 3,3 m³/pessoa/mês (cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene). No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia.