Uma cabeça de burro, enterrada! A expressão é antiga para indicar sinônimo que as coisas que deveriam acontecer, não acontecem, por motivos desconhecidos. A expressão vem de uma tradição dos criadores de cavalo, mas os entendidos dizem que a expressão correta não é cabeça de burro e sim de jumento.
Talvez o jargão popular cabeça de jumento possa ser aplicada às obras de reformas da Escola João Sato que já estão bem adiantadas e, havia expectativa da conclusão para breve. A população espera inclusive que a reforma seja entregue no dia 23 de maio/13, mas, vamos lançar mão de outra expressão popular para dizer que, pelo andar da carruagem, dificilmente os alunos voltarão a estudar na sede da João Sato em 2013.
Por qual razão esta reportagem faz tal afirmação? Primeiro, porque desde a retomada das obras, ontem (18), foi a primeira vez que voltamos ao local; e olha que tem mato, sujeira, e entulho na quadra de futsal, para serem retirados. Segundo, porque não tem carteiras na escola e, as que a Seduc mandou e chegou ontem, por serem velhas, estragadas e sujas foram devolvidas. Terceiro, porque tem de instalar, ligar, enfim, fazer os ajustes necessários na parte elétrica para que as salas recebam refrigeração. A quarta hipótese que nos permite afirmar que os alunos não devem voltar para a escola neste ano é que a Seduc teria renovado o contrato com a Fundação Arco-Íris para continuar a utilizar as dependências da FCARP.
O dito popular diz que a esperança é a última que morre. Na esperança que um dia as coisas mudem, em 14 de fevereiro, a diretora da Escola dirigiu ofício nº 059/2013 à vereadora Stella, para que esta solicitasse ao deputado Airton Portugues 800 carteiras e 15 condicionadores de ar de 18 mil btus. Sabendo das dificuldades e, para somar forças com a comunidade escolar, a vereadora do PSD fez seu trabalho requerendo ao deputado que fizesse a indicação das carteiras e dos aparelhos de Ar condicionado, para que os estudantes, além do prédio reformado, tenham também, carteiras novas e temperatura ambiente.
Ações políticas necessariamente devem ser coletivas, porém, devem ter inclusive, um caráter nobre. A ideia da indicação é excelente e, sem dúvida é muito difícil para o Executivo estadual deixar de atender tal pedido. Contudo, alguém teve uma iniciativa que podia macular a iniciativa da vereadora e do deputado: mandar carteiras velhas para a Escola de Araputanga. Sem dúvida, quem arquitetou o plano, pensou que uma entrega no final de semana teria o material descarregado e não haveria conferência, mas o arquiteto de tal "arte" não esperava que a entrega fosse acompanhada e, de perto.
Comunicada da chegada do material de terceira categoria entregue à Escola, Stellamaris compareceu para conferir, a final o papel da vereadora é fiscalizar. Do total de 800 carteiras, só chegaram 410 e, comparando com o que é novo, tratava-se de refugo. Na Escola compareceram, também, vereadores que apoiam o Executivo municipal, Srs. Milton R. de Paiva (PP), Pedro Jerônimo de Souza (PSD) e, Shiguemitu Sato (PSD), onde estava, inclusive o prefeito Sidney Salomé (PMDB), que não aceitou receber a malfadada encomenda.
Com a recusa de todos que não quiseram as carteiras velhas, o mesmo transportador recarregou o material para devolvê-las. A indignação do corpo docente da João Sato era visível. Eles expressavam verbalmente: “Não somos de segunda classe apenas porque estamos no interior do Estado, é preciso respeito”.
Segundo o motorista as carteiras foram coletadas em uma escola de Várzea Grande, localizada à R. Filinto Muller, mas, recusou-se a citar o nome da unidade escolar varzeagrandese e também o nome de quem autorizou fazer a troca.
PODIA SER DIFERENTE
A vereadora Stellamaris disse à reportagem que na sexta-feira (17), esteve em Cuiabá, onde, por duas vezes tentou falar, na Seduc, com a Senhora Dorlete, para tratar da questão das carteiras para Escola João Sato.
Na conversa Stella pretendia interceder, também, em favor do pedido da Escola Costa Marques, que solicitou há cerca de dois anos, computadores para atender aos professores.
Em plena era digital, quando o governo federal fala inclusive em distribuir tablets aos estudantes, a unidade escolar Joaquim Augusto da Costa Marques tem apenas um computador para professores. Porém, a situação dos docentes da Escola em questão continuará a mesma, pois, Stella não conseguiu ser recebida pela Senhora Dorlete, na Seduc.