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Araputanguenses se reúnem para criar ONG em favor de portadores de HIV no município.

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FONTE

De acordo com a enciclopédia virtual Wikipedia, o soropositivo é o indivíduo portador de anticorpos no sangue que provem a presença de agente infeccioso.  O termo é mais usado para descrever a presença do vírus HIV, causador da Síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA/AIDS), no sangue. 

Mesmo sem alardes o problema é grave, nos municípios do Vale do Jauru. Por isso, Araputanguenses buscam criar as condições para funcionar a primeira ONG da grande Cáceres com objetivo de atuar em favor das pessoas soropositivas.  Com essa finalidade, o Instituto Vida distribuiu convite ao longo da semana e, promoveu reunião na sede do Sindicato Rural de Araputanga, na tarde de ontem (10). 

Participaram 16 mulheres e 9 homens. Entre eles, o Delegado de Polícia Civil, Dr. Fernando Fleury, o Vice-Prefeito Municipal, Paulo Abrão, Vanise Marques, representando o deputado Airton Português, José Coelho, representando a Igreja Católica, Professor Jefferson da FCARP, diretoras de duas unidades escolares estaduais, Nelzina e Conceição Barbosa, Sr. Claudomiro Braga, pela APAE-ARA,  Comerciantes,  Agnaldo da Ortobom, representando a Maçonaria, pastora Sueli Duarte, da Igreja Monte Sião, além de duas advogadas. Pelo Legislativo Municipal, participou a vereadora Stellamaris Otenio. 

A reunião apresentou o Instituto, seu projeto, estatuto entre outros assuntos e, propôs a criação da ONG com atenção voltada aos portadores do vírus HIV, nomeadas como soropositivas. Durante a reunião foi concedida a palavra para Iderci Inácia Gomes. A decisão foi motivadora: soropositiva, Iderci abordou as diversas faces do problema que enfrenta. 

Respondendo às perguntas ela revelou que dentro do município de Araputanga tem mais de 100 pessoas soropositivas. De acordo com relato de Iderci, os números indicam através de estudos que cada pessoa soropositva, por seu comportamento irresponsável pode espalhar o vírus para outras oito pessoas. O assombroso alerta serve de referência para toda população, particularmente para a juventude. 

O soropositivo enfrenta todo tipo de má sorte. Pré-conceito, falta de medicamento e, falta de estrutura para atendimento na Saúde, que leva o doente à depressão.  O trabalho de prevenção ainda é pouco conhecido na região e espera-se que com a criação da ONG Instituto Vida possa reverter essa situação, trazendo esclarecimento e esperança às pessoas que estão portando o vírus HIV. 

Iderci não teve nenhuma dificuldade para reconhecer e revelar que é soropositiva. Ela disse que não tem nenhuma vergonha de falar sobre o assunto, porque não cometeu nenhum crime e, que por circunstâncias da vida foi atingida por esse vírus, embora sofra grande discriminação, não se deixa abater por isso.    

Para ela o setor Saúde não tem nenhuma capacitação para enfrentar o problema e desde que se descobriu portadora do HIV, há alguns anos, só teve uma palestra que trouxe o Dr. Luiz C. Pieroni de Cáceres, há três anos. 

Convivendo com o vírus HIV há cerca de 12 anos a soropositiva só descobriu o fato há quatro anos. Ela disse que já esteve em São Paulo, onde ficou dez meses em tratamento. Ao retornar para Araputanga, há três anos se empenha em desenvolver um trabalho para oferecer apoio às pessoas soropositivas e alertar as demais para que o comportamento sexual seja responsável a fim de não disseminar a moléstia. 

Pedindo apoio, em 2012, durante a campanha política vários candidatos foram procurados pela soropositiva araputanguense com a finalidade de se trabalhar sobre o HIV/Aids, e buscar recursos. 

A então candidata Stellamaris prometeu apoio, vencendo ou não as eleições. Cinco meses depois de assumir o mandato, a vereadora está cumprindo a promessa. Na opinião de Iderci agora com o estatuto quase pronto em breve a ONG poderá estar em funcionamento. 

SAÚDE

Criar uma ONG com objetivo de acolher o soropositivo e ajudá-lo, trabalhar tudo sobre a AIDS no município, prevenção e o cuidar do doente. Essa é a explicação de quem enfrenta e convive com o HIV.  

Quando perguntada se esse trabalho já não é desenvolvido na Saúde Municipal a afirmação é surpreendente. Iderci declara que o município “Não tem ninguém específico para trabalhar sobre o HIV/AIDS, aí eu venho fazendo esse trabalho e quem me ajudava era uma enfermeira lotada no PSF do Bairro São Sebastião, mas que no momento está de licença. Então eu fiquei sozinha para fazer esse trabalho voluntário para trabalhar diretamente com o soropositivo”, disse. 

Araputanga já disponibilizou testes rápidos de HIV. No ano passado houve inclusive uma faixa estendida no PSF do Bairro São Sebastião, mas, em virtude da licença da enfermeira, os testes, hoje, estariam suspensos. 

A reportagem da Folha de Araputanga procurou a Saúde Municipal. O Secretário Tony Mamedes disse que está à disposição para somar forças em favor dos soropositivos de Araputanga.