A reportagem da Folha de Araputanga compareceu à sede da Vigilância em Saúde, à Rua Francisco Assis Ramalho para saber o andamento dos trabalhos no combate ao vetor da dengue. Nossa visita obteve informações do ano epidemiológico iniciado em 30/12/2012, portanto, em 02 de março, os dados tabulavam números até a 9ª semana do ano. O número de notificações de dengue em 2013 era de 67 pessoas entre as quais 15 casos confirmados.
A vigilância vem desenvolvendo campanhas de alerta com carros de som na rua, campanha visual em muros e, realiza trabalho estratégico (onde há casos confirmados de dengue, são feitas visitas in loco e realizado bloqueio no quarteirão), tudo isso visando despertar e cobrar dos habitantes uma postura de combate às práticas que favorecem o Aedes Aegipt, ainda assim, os percentuais de infestação predial continuam altos.
Outra ação de mobilização é a reunião semanal (toda terça) entre agentes comunitários (15 no total) e, agentes de endemias (04). Nessas reuniões as informações são repassadas para os agentes comunitários que vão a todas as casas aonde foram encontradas larvas da dengue, esses imóveis e famílias são revisitados, o mesmo ocorre para os casos positivos notificados.
A Vigilância informou que nos meses de janeiro e fevereiro o índice predial registrou percentuais alarmantes chegando a 6,31% de infestação na cidade. O calcanhar de Aquiles da cidade está no bairro Cidade Alta, onde 487 imóveis já tinham sido visitados. O resultado são 48 casos positivos para larvas de dengue. Naquele bairro, o índice de infestação predial chegou a incríveis 9,85%.
Se cada cidadão não fizer sua parte para erradicar o vetor da dengue, essa pode ser uma luta de muitas baixas (esperamos que não seja). Os números mostram o placar de uma partida cujo jogo é desigual, conforme segue:
Araputanga precisa de 10 agentes atuando no combate ao mosquito, porém, nunca houve mais do que oito agentes nomeados e, atualmente o número é de apenas quatro agentes desempenhando o trabalho, diariamente, no máximo, em 25 imóveis.
Profissionais do setor declaram que até setembro/12 a cidade contava com oito agentes, porém, com os pedidos exoneração e de demissões, os remanescentes são apenas 40% do número ideal (10), para realizar o trabalho. Os entendidos no assunto chegam a declarar que o número de moradores infectados só não é maior, porque o vírus da dengue não estaria circulando em Araputanga.
INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO
Porém, nem tudo está perdido. Para averiguar a atuação do Poder Público Municipal, a Promotoria de Justiça de Araputanga instaurou inquérito Civil através da Portaria 006/2013 e, passa a acompanhar as ações de combate à dengue desenvolvidas no Município. Outras Portarias foram instauradas, também, para averiguar as providências de atuação contra o mosquito da dengue em Indiavaí e Reserva do Cabaçal.
Com o processo instaurado em 28 de fevereiro foram requisitadas informações, no prazo de cinco dias, à Secretaria Municipal de Saúde a respeito das medidas adotadas pelo município de Araputanga para prevenção da dengue, combate ao vetor, redução dos índices de infestação predial, estratégias de assistência aos pacientes em caso de eventual epidemia da doença e demais informações pertinentes ao caso.
A chefe da Vigilância em Saúde, Renata P. Marconi compareceu, na última sexta-feira (08), à sede da Promotoria para uma reunião com o promotor, Dr. Luiz Fernando Rossi Pipino.